• Chris Day

A imagem

Updated: Jun 30

Algumas considerações sobre a exposição 11.09 de Chris Day em 31 de setembro de 2007, em Salvador da Bahia.


Existe na fotografia algumas características que fazem com que o simples fato de uma cena ter sido tomado por um tipo de técnica diferente, ou mesmo mudança no método, se desloque ou, no mínimo, transforme toda a mensagem da imagem fotográfica em uma realidade bem distante da vivenciada pelo fotógrafo. Modificadas a ponto de não concebermos as sensações movidas pelo fato ocorrido. Seja ela no aspecto objetivo, se é que é possível, ou subjetivo do fazer fotográfico.


Em "11/09", trabalho desenvolvido pela fotógrafa paulista Chris Day, e apresentado aqui por ocasião do A Gosto da Fotografia - III Festival Nacional de Fotografia consegue documentar e ao mesmo tempo ensaiar sobre um dos maiores acontecimentos da nossa história como seres pensantes e racionais pega de surpresa, mas não despreparada. Diante da gigantesca catástrofe que ocorria, pouco foram os profissionais que buscaram nas pessoas as respostas ou explicações para o que estava acontecendo.


As fotografias de Chris Day revelam um povo desprotegido e entregue a sorte. Mostra, por debaixo dos símbolos do pais, super poderoso, uma fragilidade imensa. Denuncia uma população sem destino e sem respostas.


Os tons de cinza das fotografias de “11/09" ficciona os fatos, ajuda a transformar a realidade incontestável num fato inadmissível. Os painéis das bolsas de valores mostram o que nossos olhos não queriam ver. As pessoas pelas ruas estendem suas mãos para o céu, mas é como se Deus não estivesse mais lá. O branco e preto das fotografias escondem por trás da espessa camada de poeira os vermelhos das bandeiras americanas que descansam em meio a tantos desesperos. Chris Day, busca o contra fluxo dos acontecimentos. Enquanto todos apontam suas lentes e para o alto, apontam suas lentes e olhos para o alto, ela procura em meio as confusões, expressões de pessoas que demonstram em gestos ou que provavelmente vem a ser a maior fraqueza do homem o medo.



Chris consegue diminuir o peso dos acontecimentos. Sua fotografia é menos denunciadora.

Suas imagens nos fazem, agora, olhar com mais tranquilidade para aquele que se foi, até agora, o fato de maior impacto desse século.


A subjetividade fotográfica de "11/09" prova como a fotografia atual conseguiu ser distanciar de sua função primordial: retratar a realidade de maneira inconteste. Os movimentos de solvidas das imagens de Chris Day conferem uma maturidade e respeito pelo ato do fazer fotográfico. A fotografia agora se divide entre o ver e o sentir. O fotógrafo se multiplica para conseguir construir sua narrativa sem perder a essência subjetiva, seus ideais e crenças. Chris consegue reunir nesta composição de 16 fotografias uma interação coerente um rigor conceitual bastante louvável.


Marcelo Reis é Fotógrafo e Curador. Diretor do A gosto da Fotografia - Festival Nacional de Fotografia e A Casa da Photographia.


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